Vinhas e kiwis podem equivaler a milhões de litros de “gasóleo”. O aproveitamento das podas tem um potencial energético que ainda não está a ser aproveitado.

O aproveitamento das podas tem um imenso potencial energético que tem vindo a ser desperdiçado.

De acordo com os cálculos de Duarte Alves, da Escola Superior de Tecnologia e Gestão do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, um dos quatro parceiros portugueses no projeto transfronteiriço Biomasa-AP, liderado pelo Energy Lab da Galiza, esperam que os 88 mil hectares de vinha existentes em toda a região norte possam produzir material de poda suficiente para gerar energia equivalente a 22 milhões de litros de gasóleo por ano.

Estes valores reportam-se apenas à vinha, no entanto, as podas de kiwi também estão a ser analisadas no projeto luso-galaico, uma vez que é no norte que se concentra quase metade da produção nacional deste fruto.

Este potencial energético tem vindo a ser desperdiçado, mas galegos e portugueses estão a trabalhar conjuntamente desde 2017 e os seus estudos deverão terminar no final do próximo ano. Por sua vez, a Galiza está mais ligada ao estudo do aproveitamento dos matos, igualmente previsto no projeto.

Até ao momento, os restos das podas são queimados pelos agricultores, mas o objetivo é valorizá-los.

Com o desenvolvimento de novas tecnologias para o aproveitamento energético dos materiais em causa, esperam-se grandes progressos e consequentes mudanças.

Duarte Alves explica que a instalação de centrais de biomassa “só terá viabilidade técnico-económica quando utilizadas na vertente de cogeração, ou seja, na produção conjunta de calor e eletricidade, implicando que haja um consumo elevado e constante energia térmica.
Neste projeto, pela parte portuguesa participam, para além do Instituto Politécnico de

Viana do Castelo, o INEGI, a Agência do Cávado e a Agência Regional de Energia e Ambiente do Alto Minho.

Esta candidatura do Biomasa-AP representou um investimento total de 2,250 milhões de euros, cabendo à participação portuguesa um total de 509 mil euros, comparticipados em 75% pelo FEDER.

Esperam-se grandes resultados com este projeto e resta-nos acreditar que os governantes não colocarão em causa todo o trabalho, tempo e despesas inerentes a esta investigação.