“Tenho 25 anos de empresa e não chego a levar 650 euros para casa”, foram as palavras de uma trabalhadora de hipermercado que fez greve este Natal.

A estrutura sindical tinha lançado um pré-aviso de greve para os trabalhadores das empresas de distribuição (supermercados, hipermercados, armazéns e logísticas das empresas de distribuição e lojas especializadas) para a véspera de Natal, uma vez que não houve acordo nas negociações com a APED, Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição.

De acordo com declarações da estrutura sindical, CESP (Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal), depois de “26 meses de negociação”, as empresas representadas pela APED e que incluem a “Sonae, Pingo Doce/Jerónimo Martins, Auchan, Lidl, Dia/Minipreço, El Corte Inglés e muitas outras, continuam a não apresentar propostas de verdadeiro aumento dos salários e correção das injustiças e discriminações existentes”.

O sindicato acusa as empresas de quererem manter a distribuição como um setor de salário mínimo nacional e que a evolução salarial para os trabalhadores dos escritórios e lojas desde a sua admissão até ao topo de carreira “será de 30 euros” apenas, quando na penúltima revisão do Contrato Coletivo de Trabalho, em 2010, era de 139,50 euros.

É inadmissível a diferença salarial ser tão mínima entre alguém que começa hoje a trabalhar na empresa e alguém que já lá trabalha há imenso tempo!

Um exemplo é de uma funcionária de um supermercado do Algarve, onde dos dez funcionários que estavam escalados, oito aderiram à greve.

No entanto, a grande adesão à greve não se refletiu no funcionamento do supermercado, pois o gerente de loja que estava de folga, foi trabalhar, desvalorizando a luta dos colegas de trabalho.

A funcionária que já trabalha no supermercado há 25 anos não chega a levar para casa 650 euros, é quase uma vida inteira de trabalho.

As pessoas que trabalham anos e anos nas empresas poucos aumentos têm e pouco ganham a mais do que aqueles trabalhadores que começam neste momento.

As empresas geram milhões de lucro todos os anos e não pagam o justo aos seus funcionários. A proposta para o novo ano é de um aumento de cerca de 3,21 euros por mês, um valor que é insignificante.

Haja respeito por quem trabalha arduamente e contribui com afinco e dedicação para que as empresas todos os anos tenham lucros astronómicos.

FONTETVI24
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