Sequelas da Covid-19 foram visíveis em raio-x dos mais jovens. Falamos no caso concreto de Francisco, o primeiro adolescente português a sofrer uma sequela da covid-19, uma ‘cicatriz’ no coração, teve um final feliz, mas há ainda muita incerteza quanto aos efeitos crónicos do vírus que parou o mundo.

As estatísticas indicam que cerca de 50% da população acabe por ter sequelas. Maria João Brito, diretora da unidade de infecciologia do Hospital Dona Estefânia, explicou à Lusa que as alterações no corpo só estabilizam “seis, nove ou 12 meses após ter ocorrido a doença. Só nessa altura podemos avaliar”, disse.

Há dois tipos de sequelas: as orgânicas, como os problemas respiratórios ou cardiovasculares, e as inorgânicas, como a ansiedade, a depressão e até a obesidade.

Além das sequelas respiratórias, a especialista indicou também as que têm que ver com a parte cardíaca, por exemplo, em crianças que tiveram inflamação no músculo do coração.

“Algumas crianças, que fizeram miocardites, ficam como que com cicatrizes no coração e deixam de poder fazer a sua atividade física normal, como correr ou jogar futebol”, explicou.

Além das sequelas que se veem nos exames de imagem do hospital, há as outras, que não se veem, mas se sentem, como a ansiedade e a depressão: “Percebemos que as pessoas que têm esta doença podem vir a adquirir ansiedade ou ficar deprimidas. Isto nunca acontece com as crianças mais pequeninas (…), mas nos adolescentes constatámos que, mesmo depois da doença, havia uma grande carga de ansiedade e que alguns ficavam deprimidos”, conta Maria João Brito.