Manuel Luis Goucha referiu que ao aceitar o desafio de apresentara a sétima edição da Casa dos segredos “seria castigar o meu próprio pequeno preconceito em relação a “reality-shows” se bem que já há muito tivesse entendido que quem participa, pelas mais diversas e legítimas razões, é sempre muito mais do que mostra em televisão (para o melhor e para o pior). Motivos desafiantes para quem quis sempre que esta fosse a sua Vida.”

A sétima edição da Casa dos segredos chegou agora ao fim e a missão de Manuel Luís Goucha na sua apresentação foi bem sucedida.

Vejam as palavras do apresentador:

Disse que sim sem pensar, era daqueles desafios que nunca me haviam passado pela cabeça uma vez que há muito estava entregue à Teresa, tendo-se-lhe colado à pele de tal modo que já não o imaginávamos sem ela.

Lembrei-me então daquela noite em que chegado ao hotel, em Paris, liguei o televisor e fiquei fascinado não com o programa em si, não sabia sequer da sua existência, mas com o cenário, quase arena, em que o apresentador (em França sempre foi um homem) se expunha sem rede na gestão de todos os elementos que compunham o espectáculo.

Desejei-me, na altura, naquele lugar, quase maestro na condução de uma partitura. Coincidências da Vida, ou não, dias depois, em prazenteiro repasto, seria sondado pelo Nuno Santos, ainda director de programas da SIC, para a eventualidade de mudar de canal, oferecia-me a programação da manhã e a hipótese de apresentar coisa nova, ainda não vista em Portugal, mas de grande sucesso em França: nada mais, nada menos, que o “Secret Story”.

Dali fui saber se o projecto iria para a SIC, tal a tentação, mas logo a Lurdes Guerreiro, da Endemol, me esclareceu que a TVI teria prioridade na escolha do formato e não mais se falou no assunto: a Júlia Pinheiro estreá-lo-ia com grande sucesso e eu manter-me-ia no programa da manhã, já líder, ainda sem acumular outros projectos televisivos.

Curioso, como é a própria Vida a fechar ciclos, como se o programa estivesse guardado para mim, uma vez que fosse. Também por isso o aceitei de pronto.

Depois, era sair da zona de conforto, dos ditos programas de companhia, onde oficio há uns vinte e cinco anos, ou dos que se vêem no aconchego da família, como “Uma canção para ti”, “A tua cara não me é estranha” ou até “MasterChef”, uns e outros quase consensuais.

Medo? Não tenho medo de o ter! Há muito que sei como o domar: é respirar fundo e enfrentá-lo pelos cornos com o que sei da vontade, do empenho, da honestidade e da dedicação que aplico no trabalho.

Que me fica desta edição da Casa dos Segredos (logo a sétima!)? Tanto, a começar pelos concorrentes, mostrando o seu melhor e o menos bom, verdadeira alma da Casa, como diria a Voz, e nervo também, acrescento eu, que ali viveram uma experiência única com os seus risos e choros, os seus pequenos dramas, as suas histórias de vida, as suas alegrias, os seus amores e desamores, os seus encantos, as suas desilusões…

Vivi com eles, ainda que do lado de cá, durante três meses, eles não sabem que eu sei de muitas informações que plasmaram nas entrevistas, nas audições, nos questionários e que acabam por condicionar ou em certa medida justificar comportamentos.

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Fica-me uma vez mais o exercício fascinante de oficiar através de muito trabalho (entre relatórios, horas de visualização, reuniões…) sem cedências à vulgaridade. Fi-lo ao meu jeito, apenas isso, porque este sou eu, inteiro, no palco da Televisão e da Vida! E foi isso que quiseram de mim, quando me desafiaram.

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