Carta aberta de Gaspar Macedo é dirigida ao Professor que disse no programa “Prós e Contras” da RTP que “obrigar a beijar avós é violência”.

A carta aberta deste jovem português, Gaspar Macedo, surge depois de um professor da Lusófona ter afirmado  que “obrigar uma criança a dar um beijinho aos avós pode ser considerado violência”.

“Carta aberta a um herói.

Caro Daniel Cardoso. Foi o professor universitário que defendeu no passado dia, no programa “Prós e Contras”, que “obrigar uma criança a dar um beijo aos avós é uma violência” e que por isso muitos dos jovens tornam-se violentos no namoro e na vida em geral.

Escrevo esta carta porque tenho orgulho de ter beijado os meus avós e que embora o tenha sempre feito, nunca fui violento ou ultrapassei os limites de outra pessoa.

Ainda bem que os meus pais me obrigaram sempre a dar um beijo aos meus avós ou me “coagiram” a dar “bom dia” a quem conheço. Ainda bem que os meus pais me puniram quando fui mal-educado porque é a eles que devo aquilo que sou ou posso um dia vir a ser. Não devo nada à escola pública ou ao Estado porque até esses foram sustentados pelos meus pais.

No fundo a sua intenção é reforçar a ideia que os “progressistas” tentam implantar na sociedade: que os pais devem ter cada vez menos poder na criação dos seus filhos. Não tenho medo de defender que são os pais que devem educar os próprios filhos e não um professor universitário com tendências sadomasoquistas que participou num programa qualquer de televisão.

É um herói para aqueles que se intitulam de “progressistas” mas que no fundo defendem apenas a desconstrução da sociedade.

É um herói para aqueles que vivem da vitimização. Num vídeo que publicou recentemente fez-se passar por vítima de uma qualquer “conspiração patriarcal” apenas porque dois médicos lhe perguntaram se tinha a certeza que queria realizar uma vasectomia. Acusou subliminar esses mesmos médicos de preconceituosos, apenas por se preocuparem com as decisões dos seus pacientes.

É um herói para aqueles que vivem do ódio. O mesmo ódio que se disfarçava de compensação e alimenta discursos como o de uma cronista do movimento “Capazes” que defendeu a “suspensão imediata de voto do homem branco”.

É um herói para aqueles que aclamam ministros por serem homossexuais quando o que apenas importa são as competências.

É um herói para aqueles que acham normal crianças de nove anos serem questionadas, num inquérito que circula pelas salas de aula, sobre o género com que se identificam ou se sentem atraídos.

Miúdos de nove anos não precisam de se preocupar com sexualidade. Miúdos de nove anos devem brincar e aproveitar a inocência limitada pela infância. Não precisam de se preocupar sobre se se identificam como homem, mulher ou “outros”. Não precisam de se preocupar sobre se gostam de rapazes ou de raparigas.

Portugal é um dos países que mais desrespeita o papel da paternidade. Os alunos portugueses passam praticamente mais 400 horas por ano numa sala de aula em relação à média da OCDE. As regalias para quem tem filhos são mínimas. Vivemos num país onde a criação de um jovem é feita cada vez mais na escola, enquanto o nosso sistema de ensino prova ser cada vez menos eficiente.

Talvez por isso, a crescente ausência dos pais leve os jovens a lidarem precocemente com álcool e drogas. Talvez por isso um homem qualquer que nunca foi pai possa atacar na televisão esse mesmo papel. Esse homem pode até ser professor, mas um professor ensina enquanto um pai educa.

Por isso, enquanto o senhor pertence ao “grupo de heróis” que ataca e corrói o valor mais importante da sociedade – o valor da paternidade – eu não tenho vergonha de pertencer ao grupo que beijou a avó quando o pai mandou e que por isso aprendeu a amá-la sempre que possível.

Tenho dito.”

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