Uma mulher foi despejada com filho 100% incapacitado: “Só queria um lugar para acolher o Pedro para eu poder ir trabalhar!”, diz Clara Soares.

A mãe do jovem de 17 anos está desesperada pois o filho possui 100% de incapacidade, é cego, mudo, surdo e tem de ser alimentado por uma sonda.

De momento com baixa para assistência à família, ela tem uma ordem de despejo e 15 dias para deixar a casa. Sem pais e com os irmãos emigrados, não sabe o que fazer. O pai da criança também emigrou.

A criança encontrou-se integrada no Kastelo – Unidade de Cuidados Continuados e Paliativos, em regime ambulatório, até Junho. Foi a partir daí que os problemas começaram.

A mãe trabalha no restaurante no Aeroporto Francisco Sá Carneiro das 9 às 16 horas e recebe o salário de 580 euros por mês. Tem folga à sexta-feira. O Pedro podia ir para o MADI – Movimento de Apoio ao Diminuído Intelectual, mas só “de segunda a sexta”, das 9 às 17 horas mas Clara não consegue conciliar esse horário com o trabalho.

“O Pedro precisa de um lar. Pode ser só durante o dia, mas aos sábados, domingos e feriados é quando trabalho mais. Não posso estar de folga“, diz a mãe.

Com 580 euros de salário passou a usufruir somente 400 por estar em casa de baixa, a que se somam 300 do abono do filho e 150 de pensão de alimentos. Ela tem despesas de 370 de renda de casa, 400 para fraldas, seringas, medicação e alimentação específica para o Pedro, água, luz, gás. Tudo somado, mesmo com muita “ginástica”, não chega.

“No mínimo, por dia, são duas seringas de alimentação. Cada uma custa 1,95 euros. E a comida tem de ser toda passada e reforçada“, diz Clara. Ela tem três meses de renda em atraso e uma ordem de despejo.

“Tenho de sair até ao fim do mês”, diz a mulher.

Acompanhada pela Rede Local de Intervenção Social da Segurança Social, Clara revela que  tentaram um recurso ao fundo de emergência municipal mas o mesmo foi recusado já que a mãe não vive há mais de dois anos no concelho. Câmara e Junta não têm solução para a criança.

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