Os funcionários e utentes do Centro de Saúde de Alvalade estão indignados, pois “há bichos por todo o lado”.

A situação já é do conhecimento da Coordenação e Direção Executiva do ACES Lisboa Norte que, no entanto, não toma uma atitude quanto à insatisfação manifestada por utentes e funcionários.

Em conversa com alguns utentes da Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de Alvalade, estes revelaram não existir condições na Sala de Tratamentos, situada na cave do Edifício: “Andei lá em tratamentos a uma ferida e numa das vezes, quando me foi retirado o penso, havia uma mosquito colado a esse penso. Quis apresentar reclamação no Livro de Reclamações mas a minha filha disse-me que depois ainda me tratavam pior e acabei por não fazer”.

A Unidade de Saúde Familiar do Parque funciona no mesmo edifício mas as condições são totalmente diferentes. A USF é alvo de rasgados elogios, quer pelas condições físicas existentes, quer pela forma de tratamento exercida pelos diversos profissionais: “Adoro a USF. Já ouvi muitas queixas de pessoas que fazem os tratamentos lá em baixo na cave, mas aqui não existem esses problemas. Os enfermeiros, médicos e as salas são fantásticos/as.”

Também os funcionários da UCSP de Avalade já manifestaram a sua insatisfação, mas até ao momento nada foi feito. Já foram encontradas baratas em gabinetes, mas, muitas vezes, contratos de trabalho precários dos funcionários levam a que muitas das vezes não batam o pé, com receio de retaliação e consequente despedimento, mas a situação tornou-se intolerável.

Alguns profissionais chegaram mesmo a mudar de gabinete para outros pisos mas mas foi “sol de pouca dura”, pois não há gabinetes suficientes e com a chegada de novos médicos que se recusam a trabalhar na cave, foi necessário dar lugar aos clínicos, nos respectivos gabinetes com as devidas condições.

Na cave do edifício trabalham enfermeiros, pessoal auxiliar e Técnicos Superiores. Os gabinetes não possuem janelas, nem claridade suficiente para o exterior, pelo que estamos na presença de discriminação entre profissionais, numa clara democracia encapotada.

Na cave não existe rede de telemóvel e alguém mal intencionado pode mesmo colocar em risco a vida e/ou saúde dos profissionais, estes incontactáveis no seu horário de trabalho. Por sua vez, os seguranças não conseguem estar constantemente na cave do edifício pois necessitam vigiar também os outros pisos do memso.

Muitos dos profissionais de Saúde já se recusaram a trabalhar nas referidas condições, pelo que vão exercendo a sua actividade laboral na Biblioteca do Edifício ou em gabinetes médicos, quando os clínicos de Medicina Geral não se encontram a dar consultas, mas esta não é de todo a solução viável.

Um dos utentes da UCSP referiu mesmo que “Não sei como aguentam trabalhar ali. Há dias em que vou fazer o tratamento e há bichos por todo o lado.”

Aguardemos melhores dias para profissionais e utentes da UCSP de Alvalade.

Partilha