Querer o bem do outro é a forma mais bonita de viver bem consigo mesmo! A coisa mais bonita que mora na gente é um desejo vago e sincero de que o outro fique bem.

Do nada, olhamos um desconhecido na rua, caminhando com pressa, de manhã cedinho para o trabalho, a expressão preocupada, e a ele dirigimos um voto silencioso, assim em pensamento, de que o dia seja bom, que o seu chefe não o aborreça, os seus clientes não o chateiem, que a saúde seja franca e o dinheiro seja largo.

Sem mais, queremos bem a quem nem imagina a nossa existência. Daqui de dentro, lançamos a esse estranho um conselho honesto e antigo em segunda pessoa. “Faz tudo certo, meu caro. Vai em frente. Força! És boa gente! Cuida bem dos teus, dá teu melhor que tudo se ajeita!”

Ele nunca vai saber que foi objecto primeiro de uma oração humilde e sincera. Nem imagina que o seu caminhar apressado despertou em alguém o que o ser humano tem de mais bonito.

Essa capacidade perdida de querer bem a toda gente.
De repente, uma ternura tão grande de um tempo passado nos toma pelo braço e acende uma saudade bonita aqui dentro. Lá fora é tardinha, daqui a pouco será noite e a lua é tão bonita que a gente chora sem mais o quê. Chora com a beleza que não é forma, é sentimento. Ai, como é bonito sentir afecto.

Dentro da gente mora tanta coisa! Tanto sonho, tanta lembrança, tanta saudade. Sentimentos de todas as formas, angústias, medos, alegrias, vontades de toda cor, palpites de toda sorte. Está tudo aqui, morando junto só Deus sabe como, habitando em comunidade um espaço insuspeitado, tudo amontoado como um universo compacto, bruto, esperando a hora do Big Bang.

Quando explode, é ternura pra todo lado, reconstruindo de gentilezas galáxias inteiras. A gente quer mais é que todo mundo se encontre, se respeite e se estime. Deseja com honestidade a alegria de toda gente.

Não tem nada mais bonito que essa capacidade da gente se querer bem. Um dia a gente aprende a cuidá-la com apreço.

Como crianças a descobrir na escola os fenómenos da ciência, compreendendo que o gelo é a água em estado sólido e a fumaça da chaleira é a mesma água em vaporização, ganhando o céu feito um foguete americano, reaprenderemos perplexos que sentir amor é viver em forma de graça. E que a vida é muito, mas muito melhor em estado amoroso.