Passeios podem colocar “os vossos filhos ligados a um ventilador”, afirmou um enfermeiro da unidade de cuidados intensivos do Hospital Dona Estefânia.

“Na última tarde, durante praticamente sete horas, estivemos eu, mais uma enfermeira e uma médica confinados a um quarto de pressão negativa, sem comer, beber, praticamente sem já quase sentirmos alguma coisa de diferente para além do suor, dores de cabeça, sede e muita vontade de sair dali.

À nossa frente estava uma criança pequena em estado muito grave que precisava e muito da nossa intervenção o mais rápida, consciente e organizada possível, e é esse o motivo que nos fez aguentar até ao limite.”

Enquanto os portugueses decidirem passear, “mais aumentam a probabilidade de colocar os vossos filhos numa unidade de cuidados intensivos ligados a um ventilador, onde nem os próprios pais poderão entrar nesse mesmo quarto”, afirma.

“Precisamos que não saiam das vossas casas, mais do que aplausos e reconhecimento no meio desta dificuldade, coisa que deveriam ter feito todas as vezes que lutámos pelos nossos direitos”, refere o enfermeiro Tiago Salgadinho.

“Felizmente, Portugal tem um excelente conjunto de profissionais de saúde que estarão aqui dia após dia, noite após noite, como em todos os momentos, por cada um de vós.”