Há deputados que “ganham seis mil euros para ir a casa” sem apresentar facturas das viagens. A Assembleia da República gastou num ano acima de 1,3 milhões com deslocações só no continente.

De acordo com informação do “Jornal de Notícias”: “no ano passado, a Assembleia da República gastou mais de 1,3 milhões de euros com o abono de deslocação à residência dos deputados, o que dá uma média de 6.156 euros por cada um, se dividirmos o valor pelos 213 parlamentares que usufruíram deste subsídio. Este ano, o valor já vai em 803 mil euros, o que significa que, até julho, os deputados terão recebido em média 3.773 euros para as viagens semanais até casa. Mas aquele que é mais um de vários apoios transformou-se num abono que está a dar ‘lucro’ a muitos deputados”.

“Como o regulamento da atribuição deste subsídio só prevê o pagamento calculado ao quilómetro (0,36 cêntimos) entre o Parlamento e a sua residência, numa deslocação terrestre por carro particular, quem opta pelos transportes públicos acaba muitas vezes por ser beneficiado. Exemplificando: um eleito pelo Porto recebe, em média, 108 euros pelos cerca de 300 km percorridos, mas de comboio o bilhete custa 31,20 euros no Alfa e 19 euros na Rede Expressos. O montante varia consoante a deslocação e podem acrescer custos adicionais, como táxis”.

“A verdade é que a maioria dos deputados dos círculos fora de Lisboa – principalmente os de Aveiro, Coimbra, Porto, Braga ou Viana do Castelo – deslocam-se de comboio ou autocarro, o que lhes permite um encaixe que pode chegar aos 100 euros por viagem, entre o que recebem para uso do carro particular e o preço do transporte público. Esta modalidade mantém-se há muitos anos e a recente alteração das regras – para responder às exigências de um relatório crítico do Tribunal de Contas (TdC) ao modo de atribuição de subsídios e também às polémicas com a questão da declaração das moradas – voltou a não apertar a malha. À excepção do PS, os partidos admitem mexer no regulamento na próxima legislatura”, refere o artigo..