Um estudo prova que o cacau pode entrar em extinção e o seu fim pode estar próximo. Se fores assumidamente chocólatra, é melhor pegares uma cadeira e sentar-se confortavelmente antes de ler essa matéria.

Preparado? Lá vai: o pesquisador e expert em cacau, John Mason, do Centro de Pesquisas sobre Conservação da Natureza (NCRC), do Canadá, alerta para um problema que pode deixar o mundo inteiro mais amargo: o fim do chocolate está próximo.

Isso porque o solo do continente africano, que é responsável por mais de 70% da produção mundial de cacau, está a mudar com a ação do sol e a ficar cada vez mais esgotado.

Na Costa do Marfim os fazendeiros não estão a acompanhar o ritmo da demanda, que cresce cada vez mais.

O consumo de chocolate cresce numa média de 2% ao ano. A industrialização de países emergentes, como Índia e China, faz com que a proporção do ritmo de crescimento aumente.

Só a Costa do Marfim produz 1/3 das sementes de cacau de todo o mundo. Para atender à demanda de produtores de chocolate, muitos fazendeiros têm derrubado outras espécies de planta para plantar mais cacaueiro.

Em curto prazo, isso tem funcionado, mas por um preço que pode ficar mais caro lá na frente: com essa forma de cultivo, o solo fica mais pobre e, além do mais, o cacau não floresce como se deve. A forma correta de cultivá-lo é em florestas, à sombra de árvores mais altas.

No meio disso tudo, há outro problema: as formas de produção atuais são mais propensas às pragas, que podem devastar plantações inteiras de cacau.

“As pessoas não estão suficientemente alertadas sobre a magnitude de tudo isso”, diz Mason, diretor-executivo Centro de Pesquisas sobre Conservação da Natureza (NCRC), do Canadá.

Alguns executivos já têm consciência desse risco. Chris Brett, vice-presidente da Olam International, uma das maiores compradoras de cacau do mundo, disse ao jornal The Globe and The Mail: “Estamos no meio de uma crise enquanto indústria”.

A grande verdade é que não há cacau para suprir tanta demanda por chocolate. Antes de devorar inúmeras barras do teu doce preferido, pensa nisso.