“Um gorro pode matá-lo” disse a madrinha do bebé sem rosto que completou 4 meses. Rodrigo continua a lutar, apesar das mal-formações (sem nariz, olhos e parte do crânio) de que sofre e que não foram detetadas pelo médico que acompanhou a gravidez. 

Esta sexta-feira, a madrinha de Rodrigo deu declarações ao programa de Júlia Pinheiro: «Sei que quando a porta do bloco de partos se abriu, pela primeira vez, vi uma equipa médica gigante, ao fundo do corredor, completamente paralisada, eles não tinham reação, o bloco de partos parou.

Fomos levar as crianças a casa e quando voltámos ao hospital o David [pai do bebé] já se tinha acalmado mais um pouco e conseguimos perceber que ele não tinha nariz, não tinha olhos e que não ia sobreviver. Já o tinham levado para estudo, e que não passava provavelmente daquela noite. Foi o prognóstico que nos foi dado naquele momento». 

«Um dos cuidados principais com o Rodrigo é nada tocar na cabeça dele. Para além das más formações físicas e cerebrais, não nos podemos esquecer que ele tem parte do crânio sem osso, uma bolsa de líquido na cabeça, e, ao ter hidrocefalia, essa bolsa tem um risco de romper. Qualquer pano, qualquer ligadura, qualquer gorro poderia ficar preso, criar alguma fricção e rebentar essa tal bolha que é coberta por uma camada muito fina de pele. Ao rebentar, há o risco de uma meningite ou outra coisa qualquer que pode levar à morte imediata. A Marlene e o David vivem para o filho 24 horas por dia, organizam a vida deles a pensar primeiro os cuidados do Rodrigo  e eles estão sem segundo plano», conta a madrinha.

«Apesar de o Rodrigo estar com quatro meses de vida e superar todas as expetativas, o medo de a qualquer momento ele dormir e não acordar mais continua presente», conta Tânia que não tem dúvidas que o afilhado é um herói que lutou sozinho pela própria vida: «Temos de aguardar que ele cresça para chegarmos à fase de tentar sentar, tentar andar, gatinhar, pegar nas coisas… só quando chegar essa altura vamos saber o quanto ele estará afetado e se consegue ou não –  com alguma limitação ou não – desempenhar essas funções. Até ao momento, sabemos que o Rodrigo sorri, distingue-nos a todos, já palra e, tirando a altura em que está com fome, até é um bebé fácil de se aturar», diz.

«Não podemos nos esquecer de uma coisa: o Rodrigo durante quatro meses travou uma batalha sozinho porque o que estava estipulado era deixar seguir a natureza, ou seja, nada fariam para impedir que o Rodrigo se fosse abaixo e fazer com que ele ficasse connosco. Portanto, durante quatro meses, ele travou uma batalha sozinho e superou-a. Ele é para lá de herói. Para mim já é um milagre», disse.