A angústia não tem face. Existem almas tristes que sorriem! Trata as pessoas bem, a dor que carregam nem sempre transparece no rosto. O sorriso, nem sempre vem da alma.

É um mecanismo de defesa. Um ”cala boca” exageradamente forjado para afastar a culpa de não se encaixar na sociedade. A pressão para ter um bom emprego, uma boa casa, um bom relacionamento, um corpo atraente, uma vida interessante. Pressão que grita alto dentro do nosso cérebro. Pressão que cresceu num nível alarmante com o advir das redes sociais, nossas aliadas e também, constantes inimigas.

A profundidade para ver a alma do outro faz-se necessária em tempos de vazios que transbordam.

Angústia: Um vazio que não tinha mais espaço para ser preenchido.

É preciso cautela e sensibilidade ao lidarmos com a alma humana. A felicidade deve sim ser celebrada, mas precisamos ser solidários quando percebermos um sinal de descontentamento de alguém próximo de nós. A velada competitividade que o mundo estabelece pode ser cruel (Não confundir com inveja). Indivíduos depressivos geralmente não celebram a felicidade alheia porque vivem num mundo escuro e frio, presos dentro de si mesmos.

Não é fraqueza, porque eles, agarrados à cauda da Esperança, até tentam submergir, o que demanda um esforço físico dilacerante. Mas, tampouco conseguem chegar à superfície e pegam um breve fôlego, são tragados de novo para o subaquático mundo em que aprenderam a viver e se sentem eternos habitantes da penumbra que, no regresso, os envolve no colo aconchegante da tristeza, e os recebe como a um velho amigo que constantemente os visita.

A angústia e o vício pela ecrã

A luz noturna do ecrã do telemóvel, do tablet, do notebook, reflete o fracasso interno por não ter forças para lutar pela aparente felicidade alcançada pelos demais utilizadores. É um mundo solitário, sombrio, assustador. A culpa por não ter alcançado o patamar desejado causa uma angústia avassaladora. É preciso que não se culpem. Não se culpem por estarem aparentemente atrás dos outros nas suas conquistas pessoais e profissionais. O tempo, é algo relativo. Cada um tem um relógio interno que funciona de uma determinada maneira.

Os nossos ponteiros internos não necessariamente precisam estar em sincronia com o externo.

Todos temos nossas características e elas são determinantes no nosso modo de ser, agir e pensar.

A nossa configuração interna já vem meio que programada, mas isto não quer dizer que não possas aperfeiçoa-la. Não tenhas medo dos riscos. A Vida não é sobre quem perde ou quem ganha, mas sim, sobre quem melhor resiste.

Não te cobres tanto. Se tiveres vontade de chorar, chora. Mas procura sofrer apenas o necessário, por um período, para renovação interna.

O Mundo pode bater forte às vezes. A angústia pode tentar te dominar. Mas lembra-te:Faz tudo ao teu modo e no TEU tempo. E jamais se compares! A única certeza que temos é que um dia iremos morrer, mas por favor não antecipes o fim do jogo. O destino se estabelece quando se decide por continuar o jogo ou desistir dele. Haja o que houver, não desligues o aparelho da tomada. Joga até o fim. Não desistas do jogo da tua vida. Vence a ti mesmo. Sempre. Todos os dias! e se preciso for, desligue o celular!

“A vida vale a pena, e os caminhos mais difíceis nos fortalecem e nos tornam mais sábios! Se resolvermos aprender com eles, e principalmente, se procurarmos ajuda para percorrê-los, conseguiremos deixar fluir as emoções sem que elas consigam nos dominar por completo. Tudo na vida exige dedicação. Não há necessidade de esforço, apenas dedicação. Para desfrutar as maravilhas que a vida nos oferece, precisamos aprender a mudar os pensamentos que nos levam a uma vida murmurante, exercitar a gratidão pelas pequenas e simples coisas, e cultivar a fé que nos inclina a coragem para a ação transformadora”. Iara Fonseca

A angústia pode ser lavada com a fé e a esperança de que dias melhores virão! Porque quando confiamos nisso, eles sempre vêm!